Muitas pessoas chegam ao consultório com uma queixa comum: a sensação de que a vida está em “looping”. São padrões de comportamento, escolhas afetivas e reações emocionais que se repetem, mesmo quando a pessoa já entendeu, racionalmente, que aquilo lhe faz mal. Quando a mudança parece travar, apesar do esforço, é provável que estejamos lidando com o que chamamos de Esquemas Iniciais Desadaptativos.
A Terapia do Esquema (TE) é uma abordagem robusta, desenvolvida por Jeffrey Young como uma evolução natural da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC). Ela não surge para substituir a TCC, mas para expandir seu alcance. Ao notar que muitos pacientes com padrões crônicos e rígidos precisavam de algo mais profundo do que o foco apenas no presente, Young integrou à estrutura cognitiva elementos da Teoria do Apego, Gestalt e outras. O resultado é uma terapia focada no processamento emocional e na mudança de traços de personalidade.
Um ponto essencial é que a Terapia do Esquema possui um embasamento científico sólido. Ela é amplamente reconhecida e validada por estudos internacionais, especialmente no tratamento de Transtornos de Personalidade, onde as abordagens convencionais muitas vezes encontram limites. É uma ciência que respeita a biologia e a história individual de cada um.
Na prática, o que fazemos é identificar as diferentes “vozes” ou estados emocionais que assumem o controle no seu dia a dia. Sabe aquela autocrítica implacável que te pune, ou aquele lado que se isola completamente para não sentir dor? Na terapia, aprendemos a reconhecer esses momentos para que eles parem de guiar suas escolhas. O objetivo é fortalecer a sua parte adulta e consciente, aquela que é capaz de cuidar das suas vulnerabilidades sem ser refém de medos antigos.
Mais do que apenas entender o passado, a Terapia do Esquema propõe uma reparação. O papel do terapeuta é oferecer um suporte seguro e uma validação que, por diversos motivos, podem ter faltado na sua história. Esse cuidado técnico ajuda você a reconstruir seu mundo interno, deixando de apenas “sobreviver” aos seus traumas para se tornar o autor consciente da sua própria trajetória.
por Camila Pedroso
