O paradoxo da ansiedade

Você já percebeu como a mente ansiosa costuma viver em cenários que ainda não existem? Como se o futuro estivesse sempre em aberto, mas, ao mesmo tempo, já fosse fonte de sofrimento no presente.

Existe um experimento clássico da física, o Gato de Schrödinger, que ajuda a ilustrar esse funcionamento. Nele, imagina-se um gato dentro de uma caixa fechada. Enquanto a caixa não é aberta, o sistema permanece em suspensão: o gato estaria, ao mesmo tempo, vivo e morto. A realidade só se define no momento da observação. Antes disso, tudo é incerteza.

A ansiedade se organiza de forma muito semelhante. Criamos, dentro de nós, uma sobreposição de futuros possíveis. Sofremos pelo que pode dar certo e pelo que pode dar errado. Pela perda e pelo ganho. Pela aceitação e pela rejeição. É como se tentássemos viver todas as realidades ao mesmo tempo, antes mesmo que qualquer uma delas aconteça.

Tentamos antecipar o futuro como uma forma de aliviar o desconforto da dúvida, acreditando, ainda que inconscientemente, que pensar em todas as possibilidades nos dará algum tipo de controle. Mas o efeito costuma ser o oposto: quanto mais tentamos resolver o que ainda não se revelou, mais presos ficamos à angústia.

A filosofia nos lembra de algo simples e difícil de aceitar: há limites claros para o nosso controle. Não governamos os resultados, nem as reações do outro, nem os acontecimentos de amanhã. Enquanto a “caixa” permanece fechada, o gato não está ao nosso alcance. Tentar forçar a definição da realidade por meio da preocupação apenas consome energia e nos afasta do presente.

O único espaço real de ação é o agora. É aqui que escolhemos a postura com a qual caminhamos em direção ao futuro. Não controlamos o que vamos encontrar, mas podemos cuidar de como chegamos até lá.

Na terapia, o trabalho não é eliminar a incerteza, isso seria impossível. O foco é fortalecer uma versão saudável de si: a parte capaz de sustentar a dúvida, regular as emoções e responder à realidade quando ela, de fato, se apresenta. Em vez de lutar contra o que não pode ser controlado, passamos a investir na construção de recursos internos.

A terapia não existe para prever o que haverá dentro da caixa. Ela existe para que, quando a caixa se abrir, você tenha estrutura emocional para lidar com qualquer desfecho. Porque, no fim, ela sempre se abre. A diferença é se você chega até esse momento esgotado de tanto tentar adivinhar o futuro, ou presente o suficiente para viver o que é real.

por Camila Pedroso

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Eu sou a Camila Jacques Pedroso (CRP 07/38904), Psicóloga graduada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Minha missão é aliar essa qualificação técnica avançada e o embasamento científico a um olhar profundamente humano e ético, tanto em meus atendimentos online quanto nas supervisões clínicas.

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